Para a sua empresa, Logística é apenas um centro de custo? Cuidado, o Fracasso está mais próximo do que você imagina!

 

Introdução

Há anos a logística deixou definitivamente de ser uma área de apoio operacional para se consolidar como um dos principais pilares estratégicos das empresas competitivas. A aplicação da Inteligência Artificial não é mais uma tendência ou um projeto-piloto: ela passou a integrar o dia a dia das operações logísticas, influenciando decisões críticas sobre estoques, transporte, atendimento ao cliente e expansão de mercado.

Ainda assim, muitas empresas no Brasil, inclusive aquelas que tentam crescer ou expandir suas operações, continuam tratando a logística apenas como um centro de custos. São organizações que investem pesado em vendas, marketing e expansão comercial, mas não entendem por que seus planos não se sustentam no médio prazo. O motivo é simples, embora desconfortável: não existe crescimento sustentável sem logística estratégica.

 

1. A Logística de Área Operacional a Pilar Estratégico

Atualmente, a logística desempenha um papel estratégico nas decisões empresariais. Com o desenvolvimento e consolidação da Inteligência Artificial, o setor adotou uma abordagem proativa e preditiva, superando o antigo modelo reativo focado apenas na resolução de crises.

Soluções de IA já são amplamente utilizadas para prever demanda com maior precisão, definir níveis ideais de estoque, otimizar rotas em tempo real e antecipar riscos operacionais. Isso permite que a empresa tome decisões baseadas em dados, e não em percepções ou experiências isoladas.

Nesse contexto, a logística não apenas executa o que foi vendido, mas orienta o que pode ou não ser vendido, onde expandir, quando crescer e em que ritmo. Ela se transforma em um verdadeiro radar estratégico, capaz de evitar erros caros e sustentar a expansão com eficiência e previsibilidade.

 

2. Perspectiva Comum: Considerar a Logística unicamente sob o viés de centro de custos

Embora tenha havido avanços, diversas organizações brasileiras ainda se mantêm ancoradas em perspectivas antigas. A logística ainda é vista como um setor que “só gera despesas” e que deve ser constantemente pressionado a reduzir custos, independentemente do impacto no negócio.

Essa mentalidade se traduz em decisões como cortes indiscriminados de orçamento, redução de equipes, terceirizações mal planejadas e resistência a investimentos em tecnologia e capacitação. O resultado é uma logística fragilizada, incapaz de acompanhar o crescimento da empresa.

Além disso, é comum o desalinhamento entre áreas. O comercial vende prazos agressivos e volumes elevados sem consultar a logística, enquanto a operação precisa lidar com promessas que não consegue cumprir. A logística passa a ser responsabilizada pelos problemas, quando, na verdade, foi excluída das decisões estratégicas.

 

3. Tentativas de Expansão Sem Base Logística: Onde Tudo Começa a Dar Errado

Quando empresas com essa visão tentam expandir suas operações, os problemas se multiplicam. A abertura de novos mercados ou regiões ocorre sem estudos adequados de malha logística, lead times, capacidade de transporte e custos reais de atendimento.

O aumento das vendas não é acompanhado por um replanejamento de estoques, centros de distribuição ou fornecedores. Processos manuais, que até funcionavam em menor escala, tornam-se gargalos graves quando o volume cresce.

Além disso, decisões estratégicas são tomadas com base em dados incompletos ou desatualizados, porque a logística não possui sistemas integrados nem inteligência analítica. A expansão, que deveria gerar ganhos de escala, passa a gerar complexidade descontrolada.

 

4. As Consequências Diretas Para Essas Empresas

4.1 Custos Explodindo (Justamente o Oposto do Esperado)

Paradoxalmente, empresas que tratam a logística apenas como custo acabam enfrentando custos muito maiores. Fretes emergenciais, estoques posicionados de forma incorreta, perdas, avarias e retrabalhos passam a ser frequentes.

Sem planejamento logístico adequado, o que era para ser eficiência se transforma em desperdício. A empresa perde margem, compromete o fluxo de caixa e não entende por que crescer está ficando cada vez mais caro.

 

4.2 Queda na Experiência do Cliente

A logística é um dos principais pontos de contato entre a empresa e o cliente. Quando ela falha, o impacto é direto na percepção da marca. Atrasos, informações imprecisas, pedidos incompletos e falta de previsibilidade se tornam rotina.

Em mercados cada vez mais competitivos, o cliente não tolera esse tipo de falha. Ele simplesmente troca de fornecedor. A empresa perde clientes não por preço ou produto, mas por incapacidade de entregar o que promete.

 

4.3 Desgaste Interno e Conflitos Entre Áreas

Internamente, o ambiente organizacional se deteriora. A logística passa a ser vista como um obstáculo, e não como uma aliada. O comercial acusa a operação de ineficiência, enquanto a logística trabalha sob pressão constante, sempre em modo de crise.

Esse cenário gera desgaste emocional, perda de engajamento e alta rotatividade de profissionais qualificados. A empresa perde conhecimento, continuidade e capacidade de melhoria justamente quando mais precisa evoluir.

 

4.4 Expansão Travada ou Recuo Estratégico

Em muitos casos, o resultado é o fracasso do plano de expansão. Unidades abertas às pressas não se sustentam, mercados são abandonados após poucos meses e investimentos precisam ser revertidos.

O crescimento não se paga, e a empresa passa a adotar uma postura defensiva, adiando novos projetos e culpando fatores externos. Poucos gestores têm a maturidade de reconhecer que o problema está na base logística mal estruturada.

 

5. O Abismo Entre Empresas Logisticamente Maduras e Imaturas

O contraste entre empresas maduras e imaturas em logística é cada vez mais evidente. As maduras utilizam IA como ferramenta de decisão estratégica, envolvem a logística desde o planejamento e avaliam o custo total da operação, não apenas indicadores isolados.

Já as imaturas continuam reagindo aos problemas, cortando investimentos essenciais e tratando a logística como um mal necessário. Elas crescem de forma instável, com altos riscos e baixa previsibilidade.

Esse abismo tende a aumentar, pois a tecnologia potencializa quem já tem processos e visão estratégica, mas expõe ainda mais as fragilidades de quem insiste em modelos ultrapassados.

 

6. Logística Estratégica Não é Custo: É Seguro de Crescimento

Investir em logística estratégica não significa gastar mais, mas gastar melhor. Significa criar uma estrutura capaz de sustentar o crescimento, absorver variações de demanda e manter a qualidade do serviço.

A logística funciona como um verdadeiro seguro de crescimento. Essa medida resguarda a organização de decisões apressadas, prejuízos financeiros e impactos negativos à sua reputação. A Inteligência Artificial amplia esse papel, mas não substitui a visão estratégica, ela apenas a fortalece.

Empresas que não compreendem isso continuam acreditando que a logística é o problema, quando, na realidade, ela é parte fundamental da solução.

 

Conclusão

No mercado exigente de hoje não há mais espaço para empresas que tratam a logística como uma área secundária. Aquelas que insistem nessa visão dificilmente entenderão por que seus planos de expansão falham, mesmo com bons produtos e equipes comerciais agressivas.

Não é o mercado, a carga tributária ou a concorrência que impedem o crescimento. O verdadeiro obstáculo é uma mentalidade ultrapassada, que ignora o papel estratégico da logística em um ambiente cada vez mais complexo e orientado por dados.

Crescer sem logística estratégica não é ousadia. É imprudência.


Francisco Ramos Lopes

MBA em Logística e Supply Chain e graduação em Gestão de Logística Empresarial. Green Belt lean Six Sigma. Vasta experiência em logística inbound e outbound. Carreira feita em empresas Multinacional e nacional de grande porte nos segmentos produtos de Higiene e limpeza, alimentos e Transportes. ERP Infor e Protheus

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