De Alvarenga & Novaes à IA: A Evolução Essencial da Logística Aplicada.


 

De Alvarenga & Novaes à IA: A Evolução Essencial da Logística Aplicada.


No início dos anos 90 tive um professor de Logística Integrada, chamado Antonio Carlos Alvarenga, que juntamente com outros me ensinaram a gostar de logística. E gostar em um tempo que a tecnologia que você tinha era no máximo um computador 286 xt (Você sabe o que é isso?) no setor.

Hoje mexendo na minha estante acabei relendo um livro escrito por ele e seu colega Antonio Galvão N. Novaes(Logística Aplicada - Suprimento e Distribuição Física), na época. Resolvi escrever esse artigo sobre a obra, cujos conceitos continuam atualizados, com apenas implementações tecnológicas.

A logística está em constante transformação, impulsionada pelo e-commerce, pela digitalização e pela pressão por entregas mais rápidas e sustentáveis. Mas, mesmo diante dessas mudanças, os fundamentos clássicos permanecem essenciais.

Um dos livros mais importantes para entender esses fundamentos é Logística Aplicada – Suprimento e Distribuição Física, de Antônio Carlos Alvarenga e Antônio Galvão Novaes. Embora escrito há décadas, seus conceitos continuam extremamente atuais.

Neste artigo, vamos mostrar como os ensinamentos dessa obra se conectam com os desafios da logística moderna, do last mile à sustentabilidade.

 

1. Custos e níveis de serviço: o trade-off que nunca muda

A relação entre custo e nível de serviço, destacada no livro, é a base de qualquer operação logística.

Antes: decidir entre armazenar mais perto do cliente ou centralizar estoques para reduzir custos.

Hoje: definir se vale oferecer entrega same day ou manter prazos mais longos e econômicos.

Esse equilíbrio continua sendo um dos maiores dilemas no e-commerce.

 

2. Transporte e escolha de modais: eficiência e sustentabilidade

Alvarenga & Novaes já destacavam a importância da análise dos modais de transporte.

Antes: rodoviário, ferroviário, aéreo e hidroviário.

Hoje: bicicletas elétricas, vans urbanas, lockers e até drones entram no mix.

Além disso, cresce o papel da cabotagem e ferrovias para reduzir custos e emissões de CO.

 

3. Gestão de estoques: a base do e-commerce e do omnichannel

O cálculo de estoques de segurança e políticas de reposição apresentados no livro permanecem essenciais.

 

Aplicações modernas:

Fulfillment centers descentralizados (Amazon, Mercado Livre);

Integração omnichannel entre lojas físicas e online;

Logística reversa para devoluções no varejo digital.

Sem fundamentos sólidos de estoque, nenhuma operação omnichannel se sustenta.

 

4. Armazenagem e layout: do armazém clássico ao dark store

Os princípios de layout e dimensionamento de depósitos evoluíram para novos formatos:

Dark stores, lojas transformadas em mini-CDs urbanos;

Micro-hubs, aproximando produtos dos clientes;

Automação e robôs de picking, acelerando separação e expedição.

Tudo ainda baseado nos conceitos de fluxo e organização que o livro já ensinava.

 

5. Roteirização: das heurísticas ao algoritmo inteligente

Para Alvarenga & Novaes o Roteirização era vista como um planejamento matemático focado em resolver o VRP (Vehicle Routing Problem) através de heurísticas e sistemas informatizados, visando principalmente a redução de custos de transporte e o cumprimento de restrições básicas como janelas de entrega e capacidade do veículo.

Atualmente, a roteirização se transformou em um processo dinâmico, preditivo e estratégico graças à integração de IA, Machine Learning, IoT e Big Data em softwares de TMS e aplicativos em tempo real. Os algoritmos inteligentes não só otimizam rotas considerando trânsito ao vivo, restrições urbanas (como rodízio e ZMRC) e demanda variável (e-commerce), mas também incorporam fatores de sustentabilidade e a necessidade de entregas ultrarrápidas (last mile). Isso eleva a roteirização de uma ferramenta de custo para um diferencial competitivo que afeta diretamente a experiência do cliente e apoia metas ambientais.

 

Conceito

Antes: roteirização é planejar rotas de transporte para reduzir custos e aumentar eficiência.

Hoje: o conceito permanece, mas com IA, Big Data e IoT como aliados para decisões dinâmicas.

 

Otimização de rotas

Antes: abordagem do VRP (Vehicle Routing Problem) com heurísticas e métodos computacionais para definir rotas mais econômicas.

Hoje: softwares de TMS (Transportation Management System) e apps de roteirização em tempo real usam machine learning e algoritmos preditivos para recalcular rotas conforme:

 

Trânsito ao vivo.

Restrições ambientais e de tráfego urbano (rodízio, ZMRC, pedágios).

Demanda variável de pedidos (ex.: e-commerce).

 

Restrições operacionais

Antes: já destacava restrições como janelas de entrega, capacidade do veículo e tipo de carga.

Hoje: além disso, entram fatores como:

Sustentabilidade (redução de emissões).

Regulação urbana (cidades inteligentes).

Necessidade de entregas ultrarrápidas (same-day / last mile).

 

Ferramentas tecnológicas

Antes: mencionava sistemas informatizados de roteirização como algo inovador.

 

Hoje temos:

Waze for logistics e integração com Google Maps.

Sistemas TMS com IA que aprendem padrões de entrega.

IoT (sensores nos veículos e cargas).

Blockchain para rastreabilidade.

Simuladores digitais para testar cenários antes da execução.

 

Impacto na estratégia

 

Antes: roteirização como ferramenta para reduzir custos de transporte.

Hoje: roteirização é estratégia competitiva no supply chain, pois:

Afeta diretamente a experiência do cliente (entrega rápida e confiável).

Reduz custos logísticos (que no Brasil chegam a 12-15% do PIB).

Apoia a sustentabilidade (menos km rodados, menor CO

 

6. Localização estratégica: onde estar faz toda a diferença

Alvarenga & Novaes já discutiam a importância da localização de CDs e depósitos.

Antes: minimizar distâncias e custos de transporte.

Hoje: abrir hubs regionais para garantir entregas em 1 ou 2 dias, ou de horas em regiões metropolitanas, além de adotar logística colaborativa com empresas compartilhando infraestrutura.

O impacto vai além da eficiência: boas decisões de localização também reduzem a pegada de carbono.

 

7. Visão sistêmica e melhoria contínua: a essência da Logística 4.0

O livro enfatiza a necessidade de enxergar a logística como um sistema integrado, com melhoria contínua.

Na prática, esse pensamento se conecta hoje à Logística 4.0, baseada em:

IoT e sensores para rastreamento em tempo real;

Dashboards e KPIs para tomada de decisão ágil;

Cultura de kaizen aplicada com dados e automação.

 

Conclusão

Logística Aplicada, de Alvarenga & Novaes, prova que os fundamentos são atemporais. Custos, estoques, transporte, roteirização e localização continuam sendo os pilares da logística, apenas aplicados agora com tecnologia, velocidade e foco em sustentabilidade.

Francisco Ramos Lopes

MBA em Logística e Supply Chain e graduação em Gestão de Logística Empresarial. Green Belt lean Six Sigma. Vasta experiência em logística inbound e outbound. Carreira feita em empresas Multinacional e nacional de grande porte nos segmentos produtos de Higiene e limpeza, alimentos e Transportes. ERP Infor e Protheus

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